O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se reuniram nesta quinta-feira (15/5), em São Paulo, para mais uma rodada da mesa de negociação permanente sobre Saúde. Na mesa, o Comando denunciou a correlação entre aumento expressivo de afastamentos por doenças mentais entre bancários e a prática de gestão por metas abusivas.
Dados do INSS mostram que os casos de afastamento acidentário por saúde mental no setor financeiro aumentaram de 9,3% para 20%, entre 2012 e 2024 – o maior crescimento registrado no país entre todos os setores. Considerando apenas o subsetor bancário, os transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários em 2024, enquanto as LERT/DORT (doenças relacionadas a movimentos repetitivos e esforço excessivo no trabalho) por 20,3% dos afastamentos.
O aumento do adoecimento mental de trabalhadores do setor não pode ser tratado como coincidência. Os bancos precisam mudar a forma de gestão para garantir a saúde dos bancários.
Reivindicações dos trabalhadores
Na mesa, o Comando Nacional fez uma série de reivindicações para resolver o problema como um levantamento das causas dos afastamentos: que os bancos forneçam os dados epidemiológicos e documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Além do combate aos fatores de riscos psicossociais: como metas abusivas, sobrecarga de trabalho, assédio moral, hipervigilância algorítmica, entre outras práticas de gestão abusiva.
O movimento sindical também propôs um “Pacto pela Saúde”, baseado nas normas de saúde, e que inclui:
– A participação dos trabalhadores na implementação da NR-1, que obriga as empresas a gerenciarem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, pressão por metas, conflitos e assédio moral, para prevenir Burnout e doenças mentais.
– O cumprimento das NR 17 e a NR 7, que já estão em vigor: a primeira determina que o trabalho deve ser adaptar às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, enquanto a segunda determina a prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de agravos relacionados ao trabalho.
Outros temas
O movimento cobrou providências contra as chamadas “metas negativas”, que ocorrem quando o trabalhador é punido com o descomissionamento da remuneração variável ou com advertências, quando, por exemplo, um cliente desiste de um produto após ter fechado sua contratação.
Outra denúncia é o aumento de casos de trabalhadores com atestados, convocados para avaliação por médicos do banco e sendo pressionados para voltar ao trabalho, antes de terminar o período de tratamento.
