Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (18/3) pelo IBGE, não são muitos animadores para os trabalhadores brasileiros. A taxa de desemprego no país foi de 11,2% no trimestre encerrado em janeiro. Apesar de ser menor que a do trimestre anterior (12,4%), o número de desempregados é estimado em 12,048 milhões. Para piorar a situação, a melhora se deve, em grande parte, ao aumento do trabalho informal, que tem como consequência a queda expressiva da renda do trabalhador, que chega a quase 10% em um ano.
De acordo com a pesquisa, o total de ocupados agora chega a 95,428 milhões. O crescimento é de 1,6% no trimestre e de 9,4% em 12 meses, com 8,2 milhões de pessoas a mais no mercado. O nível de ocupação (pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar) subiu para 55,3%.
Como mostra o levantamento, este crescimento do empego se deu com o aumento do trabalho precário. Estimado em 34,556 milhões, o número de empregados com carteira no setor privado sobiu 2% no trimestre e 9,3% em um ano (acréscimo de 2,9 milhões). Mas o total de empregados sem carteira assinada (12,383 milhões) cresceu duas vezes mais: 3,6% e 19,8% (mais 2 milhões), respectivamente. Isso acontece também com os trabalhadores por conta própria (25,576 milhões): estabilidade no trimestre e alta de 10,3% (2,4 milhões) em 12 meses. Também em um ano, o número de trabalhadores domésticos (estimado em 5,621 milhões), setor com mais informalidade e menos renda, sobe 19,9%.
Com isso, a taxa de informalidade segue elevada – e corresponde a 40,4% dos ocupados, ou 38,5 milhões. Perto do registrado no trimestre anterior (40,7%) e bem acima de igual período de um ano atrás (39,2%).
Os chamados subutilizados, pessoas que gostariam de trabalhar mais, são 27,758 milhões, com queda de 15,5% em um ano. A taxa de subutilização caiu para 23,9%. Já os desalentados somam agora 4,754 milhões, -18,7% na comparação anual.
Com tanta precariedade, o rendimento médio caiu 1,1% no trimestre e 9,7% em um ano, sendo estimado em R$ 2.489. Ainda no acumulado em 12 meses, há queda tanto para o com carteira (-7,1%) como para o sem (-9,1%). Assim como ocupações de menor renda, como trabalhador doméstico (-3,1%) e por conta própria (-2,7%). Mas cai fortemente também no setor industrial (-14,5%) e no comércio (-6%), um dos principais responsáveis pela recuperação de empregos.
A melhora da situação só ocorrerá com a retomada do crescimento do país, com reindustrialização, aumento dos investimentos públicos e políticas efetivas para geração de emprego decentes e renda para a população. Infelizmente, o governo Bolsonaro não investe em nenhuma destas questões.
