Bancários cobram da Fenaban suspensão das demissões e do fechamento de agências

O Comando Nacional dos Bancários se reuniu com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (7/7), para a segunda rodada de negociação da campanha salarial 2026. Na mesa, o Comando apresentou os dados oficiais que comprovam a diminuição do emprego e da rede de agências, que contrastam com os lucros recordes dos bancos.

Só último ano, o Santander eliminou 6.196 postos, o Itaú 4.620, Bradesco 3.017 e, o Banco do Brasil, 1.498 postos, totalizando 15.331 pontos. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram os postos de trabalho em cerca de 93,3 mil. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências.

A redução de postos de trabalho e de agências ocorre enquanto os bancos seguem batendo recordes de lucro. Só em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões.

O Comando Nacional apontou também que o aumento de contratos dos bancos com correspondentes bancários foi de 49%, entre 2015 e 2025. Isso comprova que o trabalho bancário está sendo transferido para outros agentes, apenas para aumentar os lucros dos bancos.

Diante desse cenário, o Comando Nacional exigiu, como prova de boa-fé, que os bancos suspendam as demissões e o fechamento de agências, durante as negociações. A Fenaban, porém, negou os pedidos.

“A defesa do emprego é uma das principais prioridades da categoria, conforme apontou a Consulta Nacional. Por isso, o Comando continuará insistindo nesse tema ao longo de toda a Campanha. Não é aceitável que bancos que registram lucros bilionários, apresentam elevados índices de rentabilidade e remuneram seus acionistas de forma expressiva continuem reduzindo postos de trabalho e fechando agências, sobrecarregando os empregados e prejudicando o atendimento à população. Defender o emprego é defender a categoria, o atendimento de qualidade e o papel social dos bancos. Seguiremos firmes nessa luta”, ressaltou o presidente Sindicato de Sergipe, Adilson Azevedo, que integra o Comando.

Também presente na reunião, o presidente do Sindicato da Bahia, Elder Perez, afirmou que o fechamento de agências está a serviço da exclusão, tendo em vista que existe uma grande demanda pelo atendimento presencial, principalmente da população mais vulnerável. “O Brasil bate recorde na geração de empregos no governo atual. Por outro lado, os bancos estão na contramão e demitem sem dó. As demissões no sistema financeiro não se justificam sob nenhum aspecto, a não ser o incremento do lucro de um setor que não sofre crises, muito pelo contrário. Os bancos deveriam contratar mais e abrir mais agências”.

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