Chuva de PDVs é consequência da reforma trabalhista

As consequências da reforma trabalhista já ficaram evidentes para milhões de trabalhadores brasileiros. Na esteira da aprovação da lei, nada menos que cinco grandes empresas anunciaram a abertura de programas de demissões voluntárias, os chamados PDVs.

No último final de semana Petrobras, Eletrobras, Correios e o Bradesco anunciaram a abertura do processo, e logo em seguida, a Caixa reabriu também os chamados para o desligamento de mais cinco mil empregados.

Para o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Emanoel Souza, a grande quantidade de PDVs não é mera coincidência. “Começou o processo de troca de empregados celetistas ou concursados por terceirizados ou trabalhadores que possam ser submetidos às novas regras da reforma trabalhista. Só não enxerga isso quem não quer”, ressaltou.

Os PDVs são marcados pela oferta de supostas vantagens para que o funcionário peça demissão do emprego. Em muitos caos, as empresas oferecem salários extras ou manutenção de benefícios, como plano de saúde para que o trabalhador faça adesão ao programa.

No Bradesco, por exemplo, quem aderir receberá todas as verbas rescisórias, inclusive a multa do FGTS e o aviso prévio; além de um valor equivalente a 0,6 da remuneração fixa por ano de trabalho no banco (limitado a 12 salários); vale alimentação de seis meses, em parcela única; manutenção do plano de saúde e odontológica por 18 meses. A Caixa também oferece vantagens semelhantes.

Apesar de parecer atrativo, os trabalhadores devem ficar atentos às possíveis perdas de direitos com estes programas. As empresas nem sempre deixam claro no início, mas condicionam a adesão ao fim de processos e à abdicação do direito de reclamar junto à Justiça do Trabalho.

Os desligamentos atingem também os empregados que ficam, que costumam sofrer com a sobrecarga de trabalho, o acúmulo de funções e o adoecimento, como acontece na Caixa. 

ASCOM/Federação